"Estou indo dormir, monitor."
Nunca uma frase me fez tanto tremer na vida. Socorro.
Lá vamos nós.
sábado, 28 de setembro de 2013
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
You haven't gone yet, but I am already broken.
'Cause I'm broken when I'm lonesome
Eu tenho medo. Sim, isso é medo. E é infantil e idiota. E eu tô com medo de te perder, eu tô
com medo porque mesmo você sendo um velho teimoso, você é o meu velho teimoso. E eu te
amo. E eu não quero te perder, e esse AVC só fez eu perceber o quanto a sua canção está
acabando e eu não sei como eu vou conseguir lidar com isso. Eu não sei se eu quero lidar
com isso - melhor, eu não quero lidar com isso. Eu não quero passar por todo um processo
que eu já passei há pouco mais de dois anos. Eu não quero ter saudade, eu não quero chorar
porque não consigo lembrar da sua voz direito, eu não quero chorar porque você faz falta.
Porque eu sinto um pedacinho de mim que foi. Não quero, não quero não quero. E eu posso
tá parecendo uma criança. Foda-se. Que eu seja uma. Mas eu. não. quero.
Eu estou com medo.
E a sua canção ainda não terminou, mas o fato de eu conseguir entender que logo tocarão as
notas finais faz com que eu simplesmente congele e simplesmente queira voltar pra bolha e
ficar lá.
E eu tô dando graças porque meu pai foi dormir no hospital hoje, porque eu não quero que ele
me veja assim.
And I don't feel right when you're gone away
Eu tenho medo. Sim, isso é medo. E é infantil e idiota. E eu tô com medo de te perder, eu tô
com medo porque mesmo você sendo um velho teimoso, você é o meu velho teimoso. E eu te
amo. E eu não quero te perder, e esse AVC só fez eu perceber o quanto a sua canção está
acabando e eu não sei como eu vou conseguir lidar com isso. Eu não sei se eu quero lidar
com isso - melhor, eu não quero lidar com isso. Eu não quero passar por todo um processo
que eu já passei há pouco mais de dois anos. Eu não quero ter saudade, eu não quero chorar
porque não consigo lembrar da sua voz direito, eu não quero chorar porque você faz falta.
Porque eu sinto um pedacinho de mim que foi. Não quero, não quero não quero. E eu posso
tá parecendo uma criança. Foda-se. Que eu seja uma. Mas eu. não. quero.
Eu estou com medo.
E a sua canção ainda não terminou, mas o fato de eu conseguir entender que logo tocarão as
notas finais faz com que eu simplesmente congele e simplesmente queira voltar pra bolha e
ficar lá.
E eu tô dando graças porque meu pai foi dormir no hospital hoje, porque eu não quero que ele
me veja assim.
And I don't feel right when you're gone away
terça-feira, 16 de julho de 2013
Porque nada é tão simples assim
Sabe, às vezes tentar fazer sentido em um mundo cheio de loucos não é fácil.
É remar contra a maré, é dizer que está errado, que não faz sentido; é fazer o que tem que ser feito quando ninguém quer fazer; é falar "Amigo! O barco tá furando e você tá parado olhando pro nada."; é ter de explicar que nem sempre as coisas são do jeito que a gente quer; é saber que a vida não é justa; é procurar ajudar um caso que os outros dizem que é impossível; é fazer a diferença; é ser a diferença; é lutar todos os dias para que a loucura não se aposse da nossa mente.
Engraçado, é estranho ser chamado de 'louco' num mundo aonde os verdadeiros loucos são normais.
É remar contra a maré, é dizer que está errado, que não faz sentido; é fazer o que tem que ser feito quando ninguém quer fazer; é falar "Amigo! O barco tá furando e você tá parado olhando pro nada."; é ter de explicar que nem sempre as coisas são do jeito que a gente quer; é saber que a vida não é justa; é procurar ajudar um caso que os outros dizem que é impossível; é fazer a diferença; é ser a diferença; é lutar todos os dias para que a loucura não se aposse da nossa mente.
Engraçado, é estranho ser chamado de 'louco' num mundo aonde os verdadeiros loucos são normais.
sábado, 6 de julho de 2013
Espelho
Então, hoje finalmente me olhei no espelho. E descobri que mudei sim. Que minhas feições mudaram, que meu jeito mudou, e não, não é ruim. "A gente muda, tudo muda, mudamos nós"....
Eu só não imaginava que as mudanças seriam tão imediatas.
E lá vamos nós.
Eu só não imaginava que as mudanças seriam tão imediatas.
E lá vamos nós.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Changing Paths
Tanta coisa mudou nos últimos 7 meses. Conheci tantas pessoas, tantos lugares, tantas experiências, que eu só queria saber se quando eu me olhar no espelho, eu vou perceber que eu não sou mais aquela pessoa de uns tempos atrás. E se essa mudança foi boa ou não. Engraçado, tenho medo de me olhar no espelho.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Until the Very End
Eu era um menino anormal tentando ser normal, sabe? Sempre tive tudo que eu quis – talvez por ser filho único, talvez porque meus pais gostavam de serem os pais que os pais deles não puderam ser.
Um dia – 2003 pra ser mais preciso - meu pai chegou em casa todo molhado com um livro em uma sacola. Na capa, havia um menino montado em uma vassoura. Ele queria que eu lesse, “ sua prima mais velha leu e adorou!” dizia ele. Eu disse que o livro era muito grande, e então, ele me propôs o seguinte desafio: Se eu o lesse, e me dispusesse a conversar sobre o livro depois , ele me daria o robô que eu tanto estava importunando-o para comprar pra mim.
No mesmo momento aceitei o desafio e comecei a lê-lo. Lembro que nada fazia muito sentido. Coisas malucas aconteciam com o menino que ninguém podia explicar. E eu continuei, não mais pela obrigação, mas pra saber o que acontecia, qual era a causa, o porquê. Até que eu descobri, no célebre momento aonde Hagrid conta à Harry que ele é um Bruxo.
Li o livro e ganhei o robô, mas a partir do momento que eu soube que havia continuações do livro, clamei ao meu pai que os comprasse. – Pobre Carlos, mal sabia ele que naquele momento, havia criado um monstro devorador de livros.
No decorrer das semanas e meses, eu já sabia sobre câmaras secretas, duelos, Basiliscos, casais que deviam ou não ficar juntos, sobre Sírius, sobre os Elfos, os marotos, os centauros e estava tão imerso naquele mundo que nada me fazia querer sair de lá. Eu os reli várias vezes e aguardei e vi cada um dos filmes. E cada leitura, com o passar do tempo, me proporcionava uma nova perspectiva: sobre preconceito, sobre aceitação, sobre classes e sobre os próprios personagens. Conceitos complexos para apenas um garoto de 10, 12 anos. Eu sei. Mas eu falei que não era normal, lembra?
Harry esteve comigo quando minha mãe descobriu o câncer enquanto estava grávida da minha irmã. Eu compartilhei da revolta que ele sentia na Ordem da Fênix. Eu de certa forma o entendia, afinal, eu tive que me tornar um adulto, assumir responsabilidades, e Harry Potter era uma das poucas coisas que me faziam voltar a ser um pré-adolescente, mesmo que temporariamente. Minha irmã nasceu minha mãe teve outro câncer e veio a falecer, e em todos os momentos, Harry esteve comigo. E de alguma forma tudo mudou: Eu mudei ali. Meu comportamento mudou, minha percepção se abriu para todas as coisas que eu tentava esquecer e ser só...normal. Mas eu não era normal, e nunca seria. Era hora de parar de keep up with the Dursleys.
Quando minha mãe morreu, eu escrevi uma fanfic. Então eu descobri que gostava de escrever. Continuei, mas demorei meses para mostrar meus textos a alguém. A pessoa que eu mostrei, por um acaso, era minha prima, que é uma Ficwritter. Ela disse que eu tinha jeito pra coisa. E me apresentou um fórum aonde pessoas se reuniam para escrever sobre Harry Potter e algumas outras poucas séries. Eu conheci novas pessoas, fiz novos amigos, que sabiam exatamente quem eu era. Que não tinham julgamentos prévios. Que me aceitavam e passaram a me amar sem qualquer rótulo.
Eu conheci a mulher que me deu todo um novo sentido a palavra “querer”. Eu descobri em alguém próximo olhos que sempre me apoiariam e sempre estariam lá por mim. Eu admiti minha natureza dupla. Quem eu era, quem eu sempre fui e quem eu sou.
Harry Potter apareceu para mim como um desafio. Um desafio que aceitei e que deu início as minhas duas paixões: Ler e escrever. Ajudou a formar meus valores e indiretamente a minha forma de ler o mundo. Ajudou-me a fazer amizades que realmente importam, com pessoas que realmente me entendem e me amam do jeito que eu sou; Sem ter de me adequar a qualquer norma para ser aceito. Harry esteve comigo até o fim, assim como eu fui até o fim com ele. Until the very end.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
As vantagens de ser Bobo
"O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem."
Clarisse Linspector
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem."
Clarisse Linspector
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