segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Just another Soldier

Nothing unusual, nothing strange close to nothing at all

Faz tempo que eu não escrevo e eu sinceramente não sei porque. Porque, ér, a vida, é, ela anda bastante caótica.

Eu sempre falei que em 2010 eu era uma pessoa, e que em 2011 eu era outra, e em 2012 outra e tudo o que eu posso dizer é que em 2013 eu me tornei uma pessoa totalmente diferente de tudo o que eu pensei que poderia ser.

The same old scenario, the same old rain and there's no explosions here

Não sei quando, não sei o porquê, mas eu decidi que eu não deveria ter medo de viver, de aproveitar a vida. Se a vida te dá um limão, esprema toda a limonada que você puder e aproveite-a ao máximo, certo? Certo? Eu quero poder dizer certo mas eu tenho medo às vezes da limonada ser tão ácida a ponto de me fazer mal.

Eu acho que posso dizer que nesse ano, eu vivi tudo o que eu não vivi o meu ensino médio inteiro. Eles tem razão quando dizem que a Faculdade é um mundo totalmente diferente, mas quem me dera a faculdade fosse a culpada por essa mudança no meu estilo de vida, simplesmente não foi, só a vida mesmo que resolveu mudar.

Amie come sit on my wall and read me the story of O and tell it like you still believe that the end of the century brings a change for you and me.

Eu resolvi que não adiantava eu ficar remoendo e suprimindo coisas que, bem ou mal, fazem parte de mim e quem eu sou. Eu resolvi que eu tinha que aproveitar cada segundo que me resta da minha adolescência, sendo que eu não pude vivê-la por motivos. Eu resolvi que ia me permitir...eu simplesmente cheguei e falei: "vida, tô aqui. E eu não vim pra brincar. "

E eu juro que eu acho engraçado que toda essa confiança e segurança coexiste com a mais completa e assustadora insegurança do mundo.

But I'm not a miracle and you're not a saint
Just another soldier on the road to nowhere


Às pessoas sempre falam: "O Pedro me passa uma paz. O Pedro me passa segurança. O Pedro é um porto seguro." E sempre que ouço, fico impressionado. Provavelmente porque eu ache que não sou nada disso. Provavelmente porque eu teime em achar que eu ainda sou aquele garotinho de 9 anos sentado num canto do pátio porque todo mundo da sala chamava ele de "Pequena Sereia", talvez porque eu nunca tenha de verdade superado isso. Talvez eu nunca tenha superado todo o Bullying da minha pré-adolescência - eu nem consigo escrever sobre isso, quanto mais falar, que engraçado. - com... bem, é, com aquilo na minha infância também. E acho que o fato de eu não conseguir falar sobre isso, mesmo sabendo que quase ninguém tem acesso a isso aqui, me faz crer que, mesmo depois de tanto tempo, eu ainda não soube superar isso.

E eu acho que eu sou apenas isso, um monte de peças que insistem em se regenerar. Só que ás vezes elas não se regeneram direito, e aí fica um pedaço pra fora, e em determinado momento ele corta e aí dói e aí sangra e demora pra cicatrizar e dói. E eu acho que talvez ande sendo o meu grande problema com relacionamentos:

Nothing unusual, nothing's changed just a little older that's all
You know when you've found it, there's something I've learned
'Cause you feel it when they take it away


Talvez eu só não queira que alguém chegue perto o suficiente pra ver que por baixo de toda essa segurança eu seja uma pessoa cheia de buracos e feridas, tentando tapar o máximo que eu consigo, e, obviamente, não conseguindo tapar nada. E talvez os acontecimentos do último mês (antes do encontrão, pra deixar claro) tenham servido pra mostrar o quanto eu sou fraco, o quanto eu sou o contrário de tudo aquilo que as pessoas acham que eu sou.

E eu não sei se isso era tudo o que eu tinha pra falar, creio que ia falar mais coisas, mas agora tudo o que eu consigo é pensar que amanhã é outro dia e eu vou ser feliz perto de quem eu amo e que vou parar de ficar remoendo essas coisas.

(E lá vou eu, fugindo mais uma vez, de conversar- no meu caso, tentar colocar minha cabeça no lugar - sobre isso.)

Something unusual, something strange
Comes from nothing at all

sábado, 28 de setembro de 2013

Here I go

"Estou indo dormir, monitor."

Nunca uma frase me fez tanto tremer na vida. Socorro.

Lá vamos nós.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

You haven't gone yet, but I am already broken.

'Cause I'm broken when I'm lonesome

Eu tenho medo. Sim, isso é medo. E é infantil e idiota. E eu tô com medo de te perder, eu tô
com medo porque mesmo você sendo um velho teimoso, você é o meu velho teimoso. E eu te
amo. E eu não quero te perder, e esse AVC só fez eu perceber o quanto a sua canção está
acabando e eu não sei como eu vou conseguir lidar com isso. Eu não sei se eu quero lidar
com isso - melhor, eu não quero lidar com isso. Eu não quero passar por todo um processo
que eu já passei há pouco mais de dois anos. Eu não quero ter saudade, eu não quero chorar
porque não consigo lembrar da sua voz direito, eu não quero chorar porque você faz falta.
Porque eu sinto um pedacinho de mim que foi. Não quero, não quero não quero. E eu posso
tá parecendo uma criança. Foda-se. Que eu seja uma. Mas eu. não. quero.



Eu estou com medo.




E a sua canção ainda não terminou, mas o fato de eu conseguir entender que logo tocarão as
notas finais faz com que eu simplesmente congele e simplesmente queira voltar pra bolha e
ficar lá.

E eu tô dando graças porque meu pai foi dormir no hospital hoje, porque eu não quero que ele
me veja assim.




And I don't feel right w
hen you're gone away

terça-feira, 16 de julho de 2013

Porque nada é tão simples assim

Sabe, às vezes tentar fazer sentido em um mundo cheio de loucos não é fácil.

É remar contra a maré, é dizer que está errado, que não faz sentido; é fazer o que tem que ser feito quando ninguém quer fazer; é falar "Amigo! O barco tá furando e você tá parado olhando pro nada."; é ter de explicar que nem sempre as coisas são do jeito que a gente quer; é saber que a vida não é justa; é procurar ajudar um caso que os outros dizem que é impossível; é fazer a diferença; é ser a diferença; é lutar todos os dias para que a loucura não se aposse da nossa mente.

Engraçado, é estranho ser chamado de 'louco' num mundo aonde os verdadeiros loucos são normais. 

sábado, 6 de julho de 2013

Espelho

Então, hoje finalmente me olhei no espelho. E descobri que mudei sim. Que minhas feições mudaram, que meu jeito mudou, e não, não é ruim. "A gente muda, tudo muda, mudamos nós"....

Eu só não imaginava que as mudanças seriam tão imediatas.

E lá vamos nós. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Changing Paths

Tanta coisa mudou nos últimos 7 meses. Conheci tantas pessoas, tantos lugares, tantas experiências, que eu só queria saber se quando eu me olhar no espelho, eu vou perceber que eu não sou mais aquela pessoa de uns tempos atrás. E se essa mudança foi boa ou não. Engraçado, tenho medo de me olhar no espelho. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Until the Very End

Eu era um menino anormal tentando ser normal, sabe? Sempre tive tudo que eu quis – talvez por ser filho único, talvez porque meus pais gostavam de serem os pais que os pais deles não puderam ser. 

Um dia – 2003 pra ser mais preciso - meu pai chegou em casa todo molhado com um livro em uma sacola. Na capa, havia um menino montado em uma vassoura. Ele queria que eu lesse, “ sua prima mais velha leu e adorou!” dizia ele. Eu disse que o livro era muito grande, e então, ele me propôs o seguinte desafio: Se eu o lesse, e me dispusesse a conversar sobre o livro depois , ele me daria o robô que eu tanto estava importunando-o para comprar pra mim.

No mesmo momento aceitei o desafio e comecei a lê-lo. Lembro que nada fazia muito sentido. Coisas malucas aconteciam com o menino que ninguém podia explicar. E eu continuei, não mais pela obrigação, mas pra saber o que acontecia, qual era a causa, o porquê. Até que eu descobri, no célebre momento aonde Hagrid conta à Harry que ele é um Bruxo.

Li o livro e ganhei o robô, mas a partir do momento que eu soube que havia continuações do livro, clamei ao meu pai que os comprasse. – Pobre Carlos, mal sabia ele que naquele momento, havia criado um monstro devorador de livros.

No decorrer das semanas e meses, eu já sabia sobre câmaras secretas, duelos, Basiliscos, casais que deviam ou não ficar juntos, sobre Sírius, sobre os Elfos, os marotos, os centauros e estava tão imerso naquele mundo que nada me fazia querer sair de lá. Eu os reli várias vezes e aguardei e vi cada um dos filmes. E cada leitura, com o passar do tempo, me proporcionava uma nova perspectiva: sobre preconceito, sobre aceitação, sobre classes e sobre os próprios personagens. Conceitos complexos para apenas um garoto de 10, 12 anos. Eu sei. Mas eu falei que não era normal, lembra?

Harry esteve comigo quando minha mãe descobriu o câncer enquanto estava grávida da minha irmã. Eu compartilhei da revolta que ele sentia na Ordem da Fênix. Eu de certa forma o entendia, afinal, eu tive que me tornar um adulto, assumir responsabilidades, e Harry Potter era uma das poucas coisas que me faziam voltar a ser um pré-adolescente, mesmo que temporariamente. Minha irmã nasceu minha mãe teve outro câncer e veio a falecer, e em todos os momentos, Harry esteve comigo. E de alguma forma tudo mudou: Eu mudei ali. Meu comportamento mudou, minha percepção se abriu para todas as coisas que eu tentava esquecer e ser só...normal. Mas eu não era normal, e nunca seria. Era hora de parar de keep up with the Dursleys. 

Quando minha mãe morreu, eu escrevi uma fanfic. Então eu descobri que gostava de escrever. Continuei, mas demorei meses para mostrar meus textos a alguém. A pessoa que eu mostrei, por um acaso, era minha prima, que é uma Ficwritter. Ela disse que eu tinha jeito pra coisa. E me apresentou um fórum aonde pessoas se reuniam para escrever sobre Harry Potter e algumas outras poucas séries. Eu conheci novas pessoas, fiz novos amigos, que sabiam exatamente quem eu era. Que não tinham julgamentos prévios. Que me aceitavam e passaram a me amar sem qualquer rótulo.

Eu conheci a mulher que me deu todo um novo sentido a palavra “querer”. Eu descobri em alguém próximo olhos que sempre me apoiariam e sempre estariam lá por mim. Eu admiti minha natureza dupla. Quem eu era, quem eu sempre fui e quem eu sou. 

Harry Potter apareceu para mim como um desafio. Um desafio que aceitei e que deu início as minhas duas paixões: Ler e escrever. Ajudou a formar meus valores e indiretamente a minha forma de ler o mundo. Ajudou-me a fazer amizades que realmente importam, com pessoas que realmente me entendem e me amam do jeito que eu sou; Sem ter de me adequar a qualquer norma para ser aceito. Harry esteve comigo até o fim, assim como eu fui até o fim com ele. Until the very end.